terça-feira, agosto 12, 2008

Meu desejo

Se meu desejo fosse inteiro relevante
Seria um erro revelá-lo assim
Já que palavras não expressam nem de longe
O derradeiro de um semblante
E a beleza do porvir

segunda-feira, julho 28, 2008

Dançando tango

Apague a luz e junte-se a mim
Completas a paisagem na penumbra
Mostras, escondes, insinuas
Mas deixe que eu mesmo descubra

Revela-te ao meu íntimo
Entrega-te ao furor
Tua silueta, o tango
E a dança vai

São noites boêmias
Fumaças e sabores
Tudo faz parte de um jogo tênue
De princesas e cantores

Tudo é ingênuo e pretensão
Nada mais verdadeiro
Que a vontade que eu tenho
Mas isso é segredo
Que aos poucos revelo

Deixemos seguir os passos
Agora somente nos
Temos a eternidade de um tango
Para num quebranto, entregarmo-nos atroz.

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Solto na noite

À noite me perco
Em desejos fúnebres
Sinto-me tão louco
E quase eterno

Inocente dos crimes
Que eu tanto desejei
Entregue aos vícios
E ao bel prazer

Não à culpa alguma
Nem medo, nem nada
O escuro é um abrigo
Ao grande vazio
Infinito da madrugada

domingo, dezembro 30, 2007

Perdão

Teu olhar triste
É tão triste
Tua dor
É visceral

Peço perdão por não ser
Não sou o remédio
Pra tudo que te aflige
Na verdade a causa
De todo mal

quarta-feira, novembro 07, 2007

Sair-me

Mais sincero do que penso
Mentiroso do que falo

Perdido numa esquina
A procura dos restos
das migalhas que fora

Propenso ao que penso
Que penso e me calo

Perdido numa escura
Feito dejeto da loucura
Bactéria me agora
Expelir-me feito escarro.

sábado, setembro 22, 2007

Desejo proibido

Teu olhar certeiro me atingiu,
colocou-me a teus pés.
Desejo vil,
vejo o que és.

Tua boca sedenta
alimenta os meus olhos,
teu sorriso sincero
me põem pra dormir.

Não quero tua alma,
basta-me o teu corpo.
O calor de teus braços
Num pratico esboço.

Não há o que proíba
perante o desejo.
Eu busco teu sexo
e perco meu nexo,
Anexo num beijo.

A... O prazer.

sábado, agosto 25, 2007

Basta

Basta-me lembrar o que não quero
Basta-me masoquista a dor
Basta-me o frio do inverno
E do inferno o calor

Basta-me o vazio do escuro
Onde a luz não ousa
Basta-me impuro,
Insulto, a solta.


quarta-feira, maio 30, 2007

Exageros.

Eu preciso de uma noite insana, daquelas que os efeitos colaterais fazem companhia na manha seguinte, preciso urgentemente cair do alto do meu desespero.
Um poema exagerado, uma realidade pessimista, preciso de um copo de vinho! Que nada! Preciso de uma cachaça ou cerveja mais barata que o bar tiver e que o meu dinheiro cubra.
Agora não é hora para os clichês muito menos para elegância. Não! Não se engane eu não estou triste e nem melancólico, estou realista! Estou ciente da minha covardia, da minha fraqueza, e procuro abrigo na embriagues, na madrugada fria do Sul, no aconchegante banco da praça bem ao lado onde as prostitutas vendem seu corpo decadente.
- Vem jantar filho, a comida vai esfriar.
- Já vou mãe, to estudando agora!
Tudo bem, voltando ao assunto, onde eu estava mesmo? Ah sim o banco da praça: pensando bem é melhor deixar o banco de lado, antes que alguma puta venha exigir seu ponto, ou pior, me confundam como profissional do sexo, não que eu não o seja, mas entre quatro paredes e principalmente entre as pernas de minha mulher.
Ta, ta, desculpe pela obscenidade, mas minha testosterona me obriga a dizer essas coisas, sabe como é homem sempre precisando de uma auto-afirmação.
Pois bem, o que eu preciso mesmo é simples, vai entender esse corpo-humano, eu quero apenas...
- Filho vem jantar agora ou não te deixo mais na frente desse computador!

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Hoje não é

Hoje a insistente dor de cabeça não passa
Hoje aflora uma decepção em minha alma
Hoje não creio nas verdades
E nem discordo das mentiras

Acordei com uma saudade de tudo
Mas um tudo que é nada
Um tudo que nunca tive

A música perdeu o ritmo
A poesia seu louvor
O paciente a esperança
A adolescente o amor

Hoje é dia pra se esquecer
Um dia que não nasceu
Um belo dia pra morrer
O meu dia de ateu